Volume 10, número 3, dezembro de 2025
ISSN: 2526-124X
Alba Helena Fernandes Caldas
Quando pegamos o celular ou ligamos o computador, nos deparamos com textos, imagens, vídeos, sons, links e até memes. Tudo junto! Ou seja, viver no mundo digital é atravessar vários tipos de linguagem ao mesmo tempo — é isso que chamamos de multimodalidade.
Mas o que isso quer dizer para quem está aprendendo, ensinando ou simplesmente tentando entender melhor o que lê? E como a escola pode se adaptar para acompanhar tantas mudanças?
As reflexões e percepções desenvolvidas neste artigo dialogam diretamente com debates e propostas presentes na minha tese de doutorado e nos trabalhos de autores como Carla Viana Coscarelli, Luiz Antônio Marcuschi, Roxane Rojo, Magda Soares, Jay Lemke e Pierre Lévy, sendo também fundamentadas em documentos oficiais do Ministério da Educação, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Multimodalidade é um nome complicado para algo cada vez mais natural no nosso dia a dia. Basicamente, significa que a comunicação acontece usando várias “modalidades” ao mesmo tempo: palavras escritas, imagens, sons, vídeos, gestos e até linhas e cores numa página.
No mundo digital, essa mistura é ainda mais presente. Um exemplo claro é uma notícia na internet que mistura texto, fotos, vídeos, infográficos e links para outros sites. Para entender tudo aquilo, não basta saber ler letras: é preciso interpretar imagens, navegar pelos links, perceber o tom de vídeos, analisar gráficos e até identificar se aquele link ou postagem é confiável.
Nas escolas brasileiras, principalmente nas públicas, aprendemos há anos lendo livros e apostilas feitos, quase sempre, só de texto impresso. Mas será que isso ainda basta? Muitos educadores e especialistas defendem que não.
O ensino de Língua Portuguesa, principalmente a partir das novas regras nacionais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), já reconhece a importância de ler e produzir textos que misturam diferentes “formas de dizer”, como vídeos, infográficos e podcasts. No entanto, a prática ainda avança devagar, pois faltam tanto recursos quanto formação específica para os professores nessas áreas.
Mesmo quando há computadores, a maioria dos trabalhos na escola ainda é feita da forma antiga: lê-se um texto “linear”, sem navegar por outros caminhos, sem misturar muitas linguagens. Professores relatam que não têm formação suficiente para trabalhar com vídeos, podcasts ou hipertextos — aqueles textos que vão abrindo outras páginas por meio de links.
Além disso, falta tempo para planejar atividades diferentes, principalmente nas disciplinas carregadas de conteúdo. Os livros didáticos, muitas vezes, mantêm o velho estilo e não trazem exemplos de textos multimodais.
O leitor digital, que é todo aquele que participa do mundo online, precisa fazer muito mais do que só ler e escrever. Ele precisa saber navegar, comparar informações, descobrir se as fotos ou notícias são confiáveis, interpretar sons e imagens e, claro, saber o que são fake news. Quem não desenvolve essas habilidades pode ficar perdido entre tantas informações do mundo de hoje!
Por isso, formar leitores críticos e criativos, capazes de entender e produzir textos multimodais, é uma missão urgente para a escola, para os professores e para toda a sociedade.
Aqui vão algumas sugestões para professores e estudantes que querem mergulhar no universo da multimodalidade:
A multimodalidade não é moda passageira: é o jeito como vivemos, aprendemos e nos comunicamos na era digital. Ensinar a ler, interpretar e produzir textos mistos é fundamental para garantir que nossos estudantes estejam preparados para participar, com ética e criatividade, do mundo atual.
Formar leitores multimodais é, acima de tudo, formar cidadãos prontos para pensar, questionar, criar e conviver em uma sociedade repleta de informações, desafios e oportunidades.