Hoje eu esqueci como se escreve bicarbonato, fiquei um tempo em transe, mas de fato me sumiu a palavra. Esses dias uma aluna não conseguiu pronunciar a palavra familiaridade. Deve ser a própria falta de familiaridade com a familiaridade. Com as palavras. Não temos olhado para elas, tampouco para o que elas são capazes ou mesmo para o que significam, sig.ni.fi.car: verbo transitivo direto, só que semiótica não é minha praia, mas podemos falar de signos, afinal de contas eu adoro astrologia e julgo sem pudores o mapa astral alheio.
Voltando ao bicarbonato, eu queria escrever numa lista de compras porque vi um vídeo de como fazer render doze sabões com um sabão em pedra, mesmo sabendo que esse experimento não me pouparia tanto dinheiro ou mesmo do infortúnio de ir ao supermercado. Fato é que também julgo as idas ao supermercado, sobretudo a organização das prateleiras e os preços que variam semanalmente, mas não me julgo pela falta de familiaridade com o que há de mais irritante e paradoxalmente terapêutico nesse lugar, as filas. É pura sorte, pois não funcionam pela lógica, empirismo ou estratégia. Inclusive, o azar pode ser todo seu quando o cartão alheio falha junto com a troca de bobina da máquina registradora. Nesse momento, cabem-lhe os ensinamentos de respiração da ioga e talvez a tranquilidade concedida pelo seu signo, e em última instância pensar em toda essa aleatoriedade do dia e colocá-la no papel, soletrando lentamente, ao término, a-le-a-to-ri-e-da-de, pra não errar a pronúncia.